https://espacoekoa.com.br

É famosa a afirmação do célebre poeta francês Paul Valéry de que “um poema nunca está acabado”. Se isso é verdade para a obra dos grandes poetas, é ainda mais certeiro quando falamos do trabalho de criação de estudantes que começam a conhecer poesia.

Os poemas desta mostra são tão inacabados quanto os jovens que os escreveram. São registros de um processo criativo e pedagógico, que procura despertar a consciência da linguagem e promover uma experiência de escrita autoral e estética. As escolhas feitas pela turma são variadas: há quem tenha preferido a crítica social em forma de RAP, a diversão do jogo cômico de palavras em batalhas de rimas, a exploração da espacialidade do poema visual, ou o uso tradicional de recursos expressivos em poemas líricos. Nessas produções, foi possível exercitarem a ampliação do poder imagético com a metáfora, a construção de padrões com o paralelismo, a condensação da informação pela elipse, entre outros, sem descuidar do jogo entre palavra e música, buscado no ritmo e na rima, ou entre palavra e arte plástica, trabalhado no poema concreto.

São produções de estudantes e, por isso, um passo de um percurso ainda a ser completado. Revelam um pouco de seu universo, suas referências, e daquilo que lhes dá gosto. Esperamos que vocês também possam gostar.

Texto escrito por Rafael Palomino

(Professor Especialista de Língua Portuguesa e Literatura)